segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Cliques de um dueto
domingo, 28 de agosto de 2011
‘Chega mais’ em Rita Lee
Em sua apresentação, Rita Lee coloca os mais modernos recursos técnicos disponíveis no universo dos shows a serviço da música e irreverência da maior roqueira do Brasil.
O repertório dos meus shows nunca é fixo; me conheço o suficiente para saber que tiro e ponho música conforme dá na telha. Material não falta. Nessa turnê tenho as minhas favoritas: ‘Vírus do Amor’, ‘Banho de espuma’, ‘Chega mais’.”
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Rita Lee prepara novo disco.
sábado, 26 de março de 2011
Rita Lee disponibiliza discografia completa para streaming em site oficial.
terça-feira, 1 de março de 2011
Público do R7 elege Rita Lee como a melhor representante de São Paulo.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
VIDAPOP...Deixem a Rita em Paz.
Como alguém ousa ameaçar a Rita Lee? Ela é humana! E corintiana! (snif) Vocês têm sorte que ela ainda cante para vocês, seus desgraçados! (snif, snif) Deixem a Rita Lee em paz!!! (buááá…) Eu seria emo se a Rita Lee fosse a Britney Spears, mas não é o caso. Rita tem cérebro e foi ele, aliás, o grande culpado do ataque covarde e cruel que a cantora sofreu. Tudo começou quando ela aderiu ao Twitter – mas não para fazer 1 milhão de amigos e bem mais forte poder cantar. Fugindo à regra, Rita tem o que dizer e, no caso, foi contra a construção do estádio do seu time do coração em “ritaquera”, pelo menos da forma que está sendo construído. E aí o império contra-atacou. A cantora foi ameaçada e chegou a abandonar a rede social temendo pela sua segurança depois que, usando palavras dela, “o Cansástico lhe atirou aos leões”.
por Miguel Sokol publicado na revista Rolling Stone em outubro/2010 – leia texto na íntegra abaixo:
domingo, 19 de setembro de 2010
Famosos tietam Rita Lee no Rio.
Fernanda Lima, Glória Pires e Cissa Guimarães assistiram a show da roqueira, na noite de sábado (18)
QUEM Online
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Rita Lee: Intimidade é com ela mesma.
Entre caras, bocas, trejeitos e pequenas "coreografias", Rita Lee esboçou passos de frevo. Pela tesoura mal marcada, bem se viu que era uma paulista que dançava em cima do palco, mas foi nesse clima que ela agradou (e muito) o público do Teatro Guararapes com o show Etc..., na última sexta-feira. Foi preciso um show em teatro para perceber o quão dançante é a música de Rita Lee. Ao fundo, era possível ver que todos na plateia balançavam no ritmo da música, como se quisessem estar de pé.
Dantas/Divulgação |
No show em que prestou uma homenagem a Michael Jackson, Rita entrou em palco com chapéu, calças compridas e blazer, imitando alguns passos do pop star, cujos dons artísticos, Rita sempre afirmou que admirava. A performance estava meio desengonçada, mas ninguém se preocupava com isso. Nem ela mesma. Todo o aparato tecnológico, com exibição de vídeos e imagens, iluminação marcante e efeitos especiais, lembrava as superproduções do ídolo, com direito à participaçãodo cover de Michael, Nikki Goulart, recrutado na plateia de um show em Florianópolis para a turnê deste Etc.# E anunciado como "ressurgido das cinzas".
Completamente livre no palco, a rainha do rock, aos 65 anos, passeou de um lado para o outro, parecia mais moleca que nunca. E estava afiada como sempre. Logo no "boa noite", mandou um recado para a administração do teatro: "É lindo o teatro. Faz 15 anos que a gente não toca aqui, mas tá caindo aos pedaços", disparou, citando as goteiras e fungos no camarim. Temas obrigatórios em seu twitter (que ocupa horas de seu dia), eleições e novelas não poderiam faltar. "Vocês estão assanhadinhos com as eleições?", perguntou. Entre aplausos calorosos dos fãs, que a admiram tanto pelas músicas quanto pela irreverência, defendeu que hoje vivemos a "ditadura da putaria". "Ah, 'cê' vota nulo? Eu também", respondeu a um dos muitos que gritavam frases soltas na plateia. Com fina ironia, teorizou que novela faz parte do público brasileiro e debandou a comentar os últimos acontecimentos da novela Passione, enquanto lamentava que dia de domingo não tem novela. "Amanhã é sábado? Então tem novela. Yes! Yes", brincou. Mais uma vez, delírio do público.
Em todas as músicas, a plateia acompanhou em coro os grandes sucessos de sua carreira. Agora só falta você, Amor e sexo, Banho de espuma, Lança perfume, Doce vampiro, Ando meio desligado, Erva venenosa, Mania de você, Ovelha negra (seguida de uma pequena autobiografia, da infância aos áureos 20 e poucos anos). O setlist parecia completo. Rita Lee apresentou a mesma voz, a mesma intimidade com o público, a mesma afinidade com os músicos de qualidade que o acompanham (aliás, não falou a clássica declaração a Roberto de Carvalho, à família e, desta vez, à neta). Sem dúvidas, a ovelha negra ainda vai cantar muito por aí.
domingo, 29 de agosto de 2010
Palanque pop de Rita Lee agrada público no Teatro Guararapes.
O Teatro Guararapes foi o palanque de Rita Lee. Aos 65 anos, a cantora mostrou que dialoga com o maior número possível de pessoas, como todo bom político. E tinha gente de todas as idades no show Etc... que aconteceu nessa sexta-feira (27) no Centro de Convenções, em Olinda. Rita se mostrou como aquela tia que todos adoram, louquinha, desbocada, que diz o que todos querem ouvir.
Faz parte daquela categoria de artistas brasileiros que agora aproveitam décadas de hits para gozar de uma unanimidade e segurança de tocar o que todo mundo conhece e gosta. E foi falando de política que Rita começou sua primeira conversa com o público. "Estamos vivendo a ditadura da putaria (sic)", disse para deleite da plateia. Falou que vota nulo, e emendou contando sua trajetória como se pedisse um voto. Como se precisasse. O público ovacionou cada hit da roqueira, que teve ainda a seu favor, um ótima banda e uma estrutura de palco, formada de telão e iluminação modernosa.
Há 15 anos que a cantora não se apresentava no Teatro Guararapes e aproveitou para alfinetar dizendo que o lugar estava "acabadinho". "No camarim tem goteira, está tudo velho, vamos cuidar melhor disso aqui gente, esse é um dos teatros mais lindos do País". Esses momentos que se assemelhavam a um stand-up comedy foram os mais interessantes do show. Quando terminou "Ovelha Negra", se desatou a falar de sua história, desde a infância.
Editou, claro, seu período com a banda Os Mutantes, que participou nos anos 1960 e que hoje se configura como uma das maiores mágoas do rock brasileiro. Rita não fala mais sobre o grupo e não aceitou participar do retorno da banda em 2003. Ainda assim, no bis, tocou "Meio Desligado".
Neste show Rita mostrou o quanto ainda se mantém presente na cultura pop brasileira, ainda que suas músicas novas não tenha mais o mesmo charme de antes. E falando em pop, teve o momento homenagem a Michael Jackson, com um cover do cantor, dançando "Bad" no palco. Se continuar explorando seus hits à exaustão até quando aguentar, Rita vai ter respaldo de seu público.
sábado, 28 de agosto de 2010
Rita, etc. e tal.
Em único show esta noite em Fortaleza, a roqueira Rita Lee prova que mantém o mesmo pique da turnê anterior. Além dos clássicos de 40 anos de carreira, etc… traz uma Rita Lee em grande estilo, em clima de total irreverência.
Entrevistar Rita Lee não lá uma tarefa muito fácil. Quem acompanha seu trabalho e suas entrevistas há alguns anos, já sabe que entrevista é só por e-mail. Nem adianta insistir. Outra coisa: as respostas, quase sempre escritas de madrugada (culpa da sua lendária insônia), são curtinhas. Twitter perde é feio! For falar nisso, fã que é do microblog, é lá o melhor lugar de acompanhar passo a passo sua carreira e seus pensamentos.
Mas, tudo perdoado. Afinal, é no palco que ela solta a franga e faz o público cantar, dançar e rir bastante. Na dúvida, é só conferir o show Etc…, que passa hoje por Fortaleza. A turnê é um desdobramento da anterior, Pic Nic, que já roda o Brasil desde 2008. No repertório, além de clássicos como Mania de você e Ovelha negra, o que lhe der na telha. Tudo é decidido de acordo com o humor do dia. Em caráter especial, ela acrescentou uma homenagem (no melhor estilo Rita Lee) a Michael Jackson, falecido em 2009. Acompanhe a íntegra da conversa com Rita Lee.
O POVO – Por que você só dá entrevista por e-mail?
Rita Lee – Marcos, querido… Porque fica mais prático e prefiro escrever do que falar.
OP – O que você está preparando para o show aqui de Fortaleza?
Rita – Sei que o público que vai me ver espera ouvir os hits mais populares e outras que eu resolvo tirar e por conforme a veneta. Etc é uma continuação natural do outro show que estávamos fazendo, uma continuação da vida.
OP – No show que você está apresentando há uma homenagem ao Michael Jackson. Por que?
Rita – Michael foi o maior talento do século XX e, pelo que pude ver em This Is It, ele estava absolutamente impecável, o que me faz concluir que Michael jamais será superado.
OP – Você é a rainha do rock, mas já cantou samba, bossa nova e outras levadas. O que você anda escutando atualmente?
Rita – Sinceramente, ando preferindo o silêncio.
OP – Por onde anda Dr. Alex? A Rita Lee vovó não pensa em reencontrar o ratinho cientista? (Dr. Alex é o protagonista de quatro livros infantis escritos pela cantora)
Rita – Talvez ele volte a dar as caras, com minha neta Ziza.
OP – Henrique Bartsch escreveu Rita Lee mora ao lado. O que você achou do livro? Ele foi fiel aos fatos?
Rita – O livro é uma bio ficção, ele escreve muito bem
OP – Em Uma noite em 67, você aparece com os Mutantes e Gilberto Gil tocando Domingo no Parque. O que você lembra daquela noite?
Rita – Absolutamente nada. Eu estava pra lá de Marrakesh.
OP – O repertório dos seus shows sempre muda de uma noite pra outra. Quais são os critérios de seleção do que vai ser cantado?
Rita – O humor do dia.
OP – Uma das suas características mais marcantes é a criatividade. O que você ainda gostaria de realizar em sua carreira?
Rita – Algo instrumental.
OP – Em um show aberto em Fortaleza, há alguns anos, você usando um megafone falou que era alcoólatra e tinha que se manter longe das bebidas. Para você, se manter longe do álcool ainda é difícil? Sente algum arrependimento pelos anos de excesso?
Rita – Não sou Madalena arrependida fazendo discurso de igreja da salvação, não me arrependo porque vivi intensamente as experiências.
OP – Com mais de 40 anos de carreira, o que ainda é bom e o que ainda é ruim da vida de artista?
Rita – Com mais de 40 anos de carreira, o ruim é pegar avião, dormir em cama de hotel, comer algo que não sei quem preparou. Mas, quando subo no palco e a plateia canta junto – e sempre canta -, o prazer que sinto é epifânico.
OP – Quando virá um novo disco de inéditas? Já tem algo pronto?
Rita – Tenho várias músicas novas, mas nenhuma ansiedade em lançar. Essa é uma das vantagens de se ficar mais velha.
OP – Como é ter quase meio século de carreira?
Rita – Supimpa.
OP – Alguma expectativa para as próximas eleições?
Rita – Enquanto o voto for obrigatório, nada vai mudar.
Matéria por Marcos Sampaio publicada no jornal O Povo dia 28/08/2010.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Curta Mais - Rita Lee em Goiânia
A musa do rock nacional está de volta a Goiânia. Rita Lee apresenta sua nova turnê ETC… neste sábado (21), no Sol Music Hall. A cantora traz de volta à Capital os grandes sucessos de sua carreira.
ETC…, o novo show de Rita Lee, que fez sua estréia nacional em Belo Horizonte, coloca os mais modernos recursos técnicos disponíveis no universo dos shows a serviço da música e irreverência da maior roqueira do Brasil.
Filha legítima do Tropicalismo, pioneira e eclética, foi a primeira artista brasileira a atingir a marca de 1 milhão de discos vendidos. Além dos inúmeros sucessos que compôs para ela mesma e registrou em seus 33 CD´s, teve músicas gravadas por João Gilberto, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Elis Regina, Gal Costa, Maria Bethânia, Milton Nascimento, Simone, Ney Matogrosso, Zizi Possi, Marisa Monte, Marina Lima, Ed Motta, Cássia Eller, Paula Toller, Henri Salvador, Frank Pourcel, Paul Mauriat, Gloria Stefan, Yael Levy, entre muitos outros.
Rita também apresentou programas em televisão e rádio, escreveu livros infantis e, surpreendente como sempre, ganhou o prêmio de “Melhor Ator” no Festival de Cinema em Gramado, em 1992, por seu papel como Raul Seixas no curta-metragem “Tanta Estrela Por Aí”. Recentemente, Rita Lee regravou a música “Ti ti ti”, tema de abertura da novela das sete da Rede Globo.
domingo, 15 de agosto de 2010
Pobre Lady Gaga - por Rita Lee.
Toda geração tem uma platinum-blond-bad-girl favorita.
Jean Harlow, Mae West, Marilyn Monroe, Madonna e agora Stefani Joanne Angelina Germanotta.
Sobrenome de família mafiosa, dessas que dominam o jogo clandestino em NY! Olhando algumas fotos dela, pensei comigo: lá vem mais uma loirinha ousadinha. Eis que depois de ler o livro “Lady Gaga, a revolução do pop”, de Emily Herbert… continuo pensando o mesmo. Ou a autora tem 13 anos de idade ou é uma jornalista shperta a fim de faturar. Sequer entrevistou Gaga, apenas deu-se ao trabalho de pinçar trechos das matérias de outros jornalistas acrescentando suas próprias viagens na maionese. Todo entrevistado mente pra caramba, eu mesma não me deixo mentir. Emily Herbert, porém, acredita e credita a Gaga todas as contravenções femininas do tipo “nunca antes neste país”. Segundo ela, as comparações de Gaga com Madonna são meramente coincidências. Sutiã em cone, meias arrastão rasgadas, cabelo loiríssimo e lábios vermelho-rubi, lingeries provocativas, letras sacanas, performances burlescas, homossexualidade, figurinos chocantes, tudo isso só existiu a partir de sua biografada.
La Germanotta é uma blond Wall Street. Nunca passou fome, não vendeu o corpo para sobreviver, foi aluna do Convento do Sagrado Coração, estudou no mesmo colégio de Paris Hilton, tem um guarda-roupa só de grifes famosas, fez curso de piano clássico, teatro, dança, canto, ou seja, a mais completa tradução da filhinha artista de papai e mamãe. Nada contra, sorte dela, aliás. Que Gaga é antenada é, mas daí a dizer que a menina vai durar on top of the world por 25 anos é um tanto alucinógico. Pobre Lady Gaga, com o livro de Emily Herbert ela não precisa de inimigos.
Texto de Rita Lee escrito para reportagem do jornal O Globo, publicado em 08/08/2010
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Aos 65 anos, Rita Lee entra no Twitter e se destaca por usar a ferramenta como nenhum outro famoso.
No perfil @LitaRee_real, cantora escreve sem se preocupar com filtro
"Acho terapêutico escrever o que dá na telha"
Rita Lee entrou no Twitter. O fato não parece relevante, afinal famosos entram no – e saem do – site o tempo todo. Mas Rita se destaca por fazer o que todos os tuiteiros fazem, que é falar o que pensa, porém como poucos conseguem, que é escrever com graça e originalidade.
Reprodução
"A quem interessar possa: coloquei um dente d ouro bem na frente, meu espelho sorri + p mim, ele gosta d uma cafajestice..."
No seu perfil, @LitaRee_real, a roqueira de 65 anos fala da vida pessoal e também da novela das sete e das nove; defende a causa dos animais e debocha dos políticos; manda recado aos filhos, conversa com os amigos e, não raro, posta perguntas para tentar entender melhor a ferramenta, que começou a usar no dia 5 de julho, com sucesso. Um mês depois, ela já contabiliza mais de 31.000 seguidores; uma semana atrás, eram menos de 21.000.
Como é famosa, sua espontaneidade ganha ainda mais cor. O site, afinal – um microblog onde se pode escrever 140 caracteres sobre qualquer coisa –, é mais usado por celebridades para fazer marketing pessoal. Ali, quem é público geralmente posa de bonzinho, propagandeia seu próximo ou último feito e não sai um milímetro fora da linha que divide o politicamente correto do incorreto, além de ser extremamente discreto sobre sua vida pessoal. Rita, que está em turnê com o show Etc... desde abril, mal fala nisso.
Foi dessa forma que ela deu a notícia, no dia 23 de julho, de que tinha feito uma operação nos seios – para se prevenir do câncer, já que tem histórico da doença na família – e nas pálpebras – por estética, pois elas estavam caindo sobre os seus olhos. A explicação, porém, veio depois que ela recebeu uma série de tuítes do tipo “o que aconteceu?”. E vem tendo que se explicar desde então – a última vez foi no dia 5 de agosto.
É melhor aproveitar o humor, as boas frases de efeito e as histórias não filtradas de Rita no Twitter, antes que ela se aborreça com o assédio ou se canse do novo brinquedo – ou, como já tuitou, vício -, que apelidou de “clubinho”.
VEJA.com selecionou alguns de seus posts. A seguir, leia uma entrevista com a cantora, em 140 caracteres.
Como e onde foi apresentada ao Twitter?
Meu filho @JoaoLeeMusic me apresentou. Eu me vicio fácil, fácil sã...
Por que se associar ao microblog - e por que agora?
Sei lá, é sempre bom 1 brinquedinho novo
Por que os seus tuítes são mais espontâneos e interativos do que a média dos famosos?
Thanx, eu acho terapêutico escrever o q dá na telha
Seu perfil pessoal é @LitaRee_real, com mais de 31.000 seguidores. Seu perfil profissional é @Rita_Lee, com menos de 7.400 seguidores. Por que separá-los?
P/ falar a verdd eu nem sabia q existia o profissa, rsrsrs
Como reagir aos patrulheiros do Twitter – aqueles que, em vez de dar unfollow, ficam criticando seus tuítes?
Ah, depois d 45 anos aguentando jornalistas agressivos, isso p/ mim é merreca
Sua opinião: por que, afinal, um tuiteiro acredita que pode dizer a outro o que ele deve postar?
Quem tuíta o q quer recebe o tuíte q ñ quer...
Política é um dos seus temas no site. Alguma ideia para um tuíte sobre o assunto exatamente agora?
Voto obrigatório é o fim da picada, votar é 1 direito, ñ 1 dever
Que famoso escolheria para fazer um perfil falso?
1 q já morreu, tipo James Dean ou Carmen Miranda
E qual seria o primeiro post?
James Dean: estou morto mas ñ perdi a pose. Carmen Miranda: ñ deixem aquele gringo fazer 1 filme sobre minha vida
O que você ainda não entendeu do funcionamento do site?
Putz, zilhões d coisas! Incrível como a molecada tem a mó paciência d me ensinar
Dente de ouro, operação dos seios e pálpebras. Como os seus seguidores reagem a esse tipo de assunto?
Me desejam saúde, fazem piadas, duvidam q eu sou eu, querem saber se estou doente
Qual é o seu Follow Friday (#FF) desta semana?
Já aprendi o q é #FF e #UNFF, viu? Num gosto muito dessas regrinhas... Mas se tiver q sugerir seria @Cafremder, minha nora gauche
Novela é outro assunto abordado por ali. O que está achando de Passione?
Implico c/ o sotaque, é desnecessário e puxa o tapete de grandes atores e atrizes, mas sou noveleira desde os tempos de O Direito de Nascer
O que lhe interessa, hoje, na televisão brasileira?
Telejornais, A Grande Família, CQC, Pânico, Casseta & Planeta, minisséries...
Você pediu aos seus seguidores versões da música-tema de Ti-ti-ti, que é sua. O que recebeu de bom?
Disponibilizamos os canais independentes da música p/ download e chegou mta coisa boa e louca (http://www.ritalee.com.br/tititi/multitrack.htm)
Seu terceiro tuíte foi: “Ainda n dá pra trocar o livro q estou lendo por este novo brinquedinho”. Que livro era?
Tava relendo Fahrenheit 451, do Ray Bradbury
Um mês depois: Twitter ou livro?
Cada vício no seu armarinho. Ontem ganhei 1 iPad c/ biblioteca e Twitter juntos...
sábado, 29 de maio de 2010
Rita Lee (Ginásio Poliesportivo, Poços de Caldas, 21/05/10).
É incrível o que mais de quarenta anos de carreira e tantos sucessos na bagagem podem proporcionar. Uma das coisas é que cada show literalmente pode ser totalmente diferente do outro e ainda assim agradar a todos que assistem. E isso foi o que Rita Lee demonstrou mais uma vez: em mais um espetáculo, pôs o público presente no bolso e proporcionou a todos uma viagem pelo tempo...
Com seu humor habitual, satirizou as novelas globais e seus sotaques, após agradecimentos em italiano (“antes falava hindu, Ari baba... agora parlo italiano...”), botou uma perucona para homenagear Caetano Veloso, autor de “Baby”, sucesso gravado pelos Mutantes e apresentado aqui com letra em português, e ainda agradeceu à plateia por ter saído de casa em uma noite tão fria dizendo : “eu detesto frio, não dá vontade de sair de jeito nenhum...”. Falando em homenagens, ainda houve o tributo a Michael Jackson, com a participação do sósia e dançarino Nikii Goulart, ao som de “Bad”.
Há ainda de se exaltar a belíssima produção do show, com um telão incrivel ao fundo do palco projetando belas imagens e emocionando os fãs mais antigos com a exibição de fotos de toda a vida da cantora durante a clássica “Ovelha Negra”, um dos pontos altos do show, bem como a obrigatória “Doce Vampiro”, e a clássica rocker “Ôrra Meu!”. Outros destaques ficaram por conta da boa nova canção “Insônia”, da dobradinha feita com “Banheira de Espuma” e “Chega Mais”, antecedendo a tradicional “Lança Perfume”, e do final com “Flagra” e “Erva Venenosa”. E Roberto de Carvalho ainda homenageou os velhos ídolos de todos nós, Rolling Stones, tocando a clássica “It’s Only Rock and Roll”...
Foram uma hora e meia que passaram rapidinho, infelizmente, reforçando o velho clichê de que “tudo que é bom dura pouco”. E se desta vez velhos clássicos como “Luz Del Fuego”, “Coisas da Vida” e “Jardins da Babilônia” não deram as caras, quem sabe da próxima vez a Rainha não presenteie seus súditos com elas novamente...
Set List:
Agora Só Falta Você
Vírus do Amor
Pagu
Bwana
Baby
Insônia
Atlântida
Bad (homenagem a Michael Jackson)
Ôrra Meu!
Doce Vampiro
Ovelha Negra
Banheira de Espuma
Chega Mais
Flagra
It's Only Rock And Roll (Rolling Stones cover)
Erva Venenosa
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Rita Lee volta a São Paulo
O novo show tem homenagens a Michael Jackson e tropicalistas
A estrada trouxe a cantora e compositora Rita Lee de volta à sua Sampa. Depois de passar por Belo Horizonte (Minas), e Ilhéus e Salvador (Bahia), a turnê ETC… chega ao palco do HSBC Brasil hoje e amanhã, com um repertório que Rita montou ao seu bel prazer. “Sou a miss simpatia que não tem ideia do que pode rolar na hora. Nessa turnê, tenho minhas favoritas: Vírus do Amor, Banho de Espuma, Chega Mais, Atlântida, Orra Meu, ”, antecipou a roqueira, em entrevista ao JT por e-mail, como tem concedido habitualmente nos últimos anos. Ela não vem sozinha. Estará acompanhada por seus fiéis escudeiros: o marido Roberto de Carvalho e o filho Beto Lee, ambos nas guitarras e vocais, além de banda. “Sim, tocar ao lado de marido e filho é legal. E não: não rola briga de egos”, brinca a cantora, aos 65 anos, respondendo de cara a uma pergunta que lhe é indagada praticamente em todas as entrevistas.
São 33 anos de matrimônio com Roberto, pai de seus 3 filhos homens e que ela considera seu maior parceiro musical. Rusgas num casamento longo é natural, mas, segundo a cantora, nunca a ponto de os dois não quererem nem mais se olhar. “Temos uma longa história e já passamos por todas as fases. Mas nunca chegamos a esse ponto”, reforça.
Nesta conversa virtual, realizada para divulgar sua nova turnê – que passará ainda por Porto Alegre, Curitiba e Rio -, Rita Lee fala sobre mercado fonográfico, novas tecnologias e terceira idade. Afirma, ainda, que não sairá de casa para votar e que não assistiu ao documentário Loki, de Paulo Henrique Fontenelle, que conta a vida de Arnaldo Baptista, com quem ela tocou, namorou e se separou na época dos Mutantes.
No repertório da turnê ETC…, além das músicas de sua carreira, você traz canções de outros compositores?
Sim, vou cantar composições minhas e fazer homenagem aos Tropicalistas, Michael Jackson e aos Rolling Stones.
São 45 anos de estrada. Você disse recentemente que não tem saco nem saúde para sair em turnê, mas que continua intacto o prazer de continuar no palco. Como dosa isso?
Danço conforme a música. O que realmente me cansa são as viagens e hotéis. Mas quando chego no palco, o prazer continua intacto, como um faraó.
Em tempos de indefinição do mercado fonográfico, com música digital e pirataria, fazer show voltou a ser o principal ganha pão do músico?
Trabalhar com música e sobreviver dela durante tanto tempo é um privilégio para poucos. Acho ótimo as grandes gravadoras estarem na UTI. Durante séculos, elas investiram em clones de artistas que vendiam discos. Agora, com a internet, os alternativos estão tomando o poder. Ninguém precisa de uma gravadora para mostrar seu trabalho.
A internet continua a ser sua grande aliada?
Facilita bastante para responder às entrevistas. Mas não tenho saco nem tempo para facebooks, blogs, twitters, chats. Gosto de fuçar sites que acrescentam informações sobre um livro que estou lendo, ler os jornais do planeta, biografias, essas coisas.
Tem ouvido alguma banda ou artista que chamou sua atenção?
Confesso que estou por fora da música planetária em geral. Se algum artista novo durar mais do que 15 minutos de sucesso, pode ser que eu vá escutar alguma coisa dele. Cá pra nós, quando estou em casa, prefiro o silêncio.
Como anda sua vida de avó?
Nunca acompanhei o crescimento de uma menina. Percebo que Ziza (sua neta) é vaidosa sem ser bestinha. É teimosa sem ser pestinha. É inteligente sem ser geniazinha. Já tive minha cota de cuecas. Hoje, só quero calcinhas.
Depois da experiência no Saia Justa, no GNT, você tem vontade de voltar a participar de algum programa na televisão?
Vontade sempre tenho de coisas que me divirtam. Mas agora não sobra tempo, nem saco, para me dedicar a outra agenda que não a musical. Faço o mínimo que posso de shows para pagar as contas.
Você disse que sua nova loucura é a terceira idade. Como você está curtindo essa fase?
Aos 65 anos, somos menos ansiosos e isso dá uma certa segurança. Não é acomodação, apenas um timing existencial diferente. Na velhice, espelhos não gostam muito de nos olhar, eles denunciam todas as rugas do nosso corpo. Quando o telefone toca e vamos atender de supetão, a coluna reclama, o pé tropeça, o fígado revira. Mas, sem dúvida, minha cabeça prefere ser a velha sábia de hoje do que aquela jovem burrinha que fui no passado.
Nessa fase, as pessoas tendem a cuidar melhor da alimentação, fazer atividades físicas. O que você tem feito?
Cuidar dos meu bichos, ler, fuçar sites interessantes, nadar, namorar Roberto. Não necessariamente nessa ordem.
Na época do lançamento do documentário Loki, o diretor Fontenelle disse que você não quis filmar depoimento. Prefere deixar essa história no passado? Assistiu ao filme?
Não tem problema, mas eu não assisti ao filme.
Você afirmou num show que não vota na Dilma, nem Serra nem na Marina. Não há opções?
Enquanto o voto for obrigatório, nada vai mudar. Esse ano nem vou sair de casa para votar.
por Adriana Del Ré
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Rita Lee fala sobre ETC...
“Para encurtar exemplos sobre o mesmo tema evitando estresse verbal usamos no final da frase “et cetera”, que no embalo de sua própria preguiça se auto-escreve “etc”. Atrevimento ainda maior é quando às 3 letrinhas são adicionados 3 pontinhos. Puro bocejo gaiato.
Se bobear os terráqueos conhecem o significado do código desde o tempo dos atlantes, e hoje eis que serve como inspiração para a meninada na escrita de seus dialetos virtuais. Oras, para que escrever com todas as letras se podemos usar apenas 3, afinal, economizar energia é preciso.
Se ainda não mataram a óbvia charada do por que a turnê 2010 se chamar “ETC…” aqui vão algumas respostas para perguntas que volta e meia me fazem quando dou entrevistas ou converso com um fã.
Há 45 anos trabalho com música; participei de algumas bandas; tenho trocentas composições; já fiz 1 bilhão setecentos e dezenove milhões e setenta mil shows; entre outros figurinos já me vesti de noiva, boba da corte, presidiária e Nossa Senhora Aparecida; há 33 anos sou casada com Roberto de Carvalho meu maior parceiro musical e pai dos meus 3 filhos.
Sim, o prazer de estar no palco depois de tanto tempo permanece tão intacto quanto a máscara dourada de Tutancâmon.
Não, o repertório dos meus shows nunca é fixo, me conheço o suficiente para saber que tiro e ponho música conforme dá na telha. Material não falta. Nessa turnê tenho minhas favoritas: “Vírus do Amor”, “Banho de espuma”, “Chega mais”, “Atlântida”, “ Orra meu”, “Insônia”.
Sim, tocar ao lado de marido e filho é legal e não, não rola briga de egos.
Sim, temos várias composições inéditas, mas ainda vamos garimpar para então começar a gravar. Não há data para lançamento, nem gravadora, nem pressão, nem ansiedade.
Não, no momento não penso em projetos alternativos, a agenda de shows me toma todo o tempo e saco. Apesar de que um projeto engraçado fora da música sempre me conquista.
Não, não tenho candidato para as próximas eleições, aliás, nem vou sair de casa dessa vez. Enquanto o voto for obrigatório nada vai mudar.
Falar sobre a turnê “ETC…” é chover no molhado, sou a miss simpatia que não tem muita idéia do que pode rolar na hora. Vá lá me ver e a gente vai se falando. Se não der talvez eu tenha outros 45 anos de estrada pela frente para continuar fazendo tudo diferentemente igual apesar, contudo, todavia, mas, porém, etc…
ETC… chega a São Paulo dias 14 e 15 de maio (sexta e sábado) no HSBC Brasil.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Rita Lee por trás do espelho - Revista Serafina
A Rita como ela é
Serafina passa um fim de semana com a artista e assiste à mutação da mulher de 62 anos -noveleira, carente, insegura- na rainha do rock nacional
"Eu devia ter dado outro nome pra ela. Ter separado bem onde começa uma e termina a outra, como fez a Fernanda Montenegro [o nome de batismo da atriz é Arlette Pinheiro]. Não dá pra dizer 'eu sou uma e a Rita Lee é outra' -estamos juntas o tempo inteiro. Eu tenho controle, não é mediunidade. Mas eu não sou 'ela'. Sou boazinha, obedeço, tenho medo de ser rejeitada. E a Rita Lee é o oposto disso. Tem domínio absoluto da situação -o que me mata de inveja. Pra ser sincera, acho que gosto mais dela do que de mim.
Belo Horizonte, 17 de abril de 2010
12h17
Quando abriu os dois olhos azuis, tudo o que viu em volta era nuvem. Esticou a mão até o criado-mudo e, tateando, reconheceu o joguinho eletrônico portátil que lhe fizera companhia na madrugada, a garrafinha d'água mineral, o maço de cigarros e, agora sim, os óculos de grau. Encaixou as lentes no rosto, desbravando os cabelos vermelhos com as hastes de metal. Olhou de novo em volta e percebeu onde estava: a suíte presidencial de um hotel em Belo Horizonte, Minas Gerais. Sentiu imediatamente um frio bem conhecido na barriga. Era dia de estreia e, apesar de ter ensaiado exaustivamente por quase um mês para esse momento, estava, como sempre, muito insegura.
Olhou o relógio na cabeceira: já passava um pouco do meio-dia. Fez as contas e concluiu que ainda carregaria essa sensação desconfortável por pelo menos mais dez horas, até finalmente pisar no palco do estádio mineiro onde faria a estreia de seu show. Já sabe bem como esse processo funciona: sofre sozinha até entrar em cena, o último momento em que é ela mesma. Atrás das cortinas, como uma Cinderela, transforma-se em alguém que sabe exatamente o que fazer dali em diante. Alguém que, ao contrário dela, não tem medo de barata. Não tem muita autocrítica nem sente o fisgar das duas hérnias de disco. O palco pode até desabar. "Alguém dentro de mim é mais eu do que eu mesma", escreveu em uma canção, pensando nisso. Alguém que o Brasil conhece melhor do que ela.
Rita Lee, aquela do palco, gosta de mentir a idade -para mais. Anuncia sempre ter 65 anos, contra os 62 comprovados no documento de identidade da Rita original. Odeia cigarro. Diz que ele lhe rouba o fôlego, que limita o desempenho cênico. Já a outra Rita não se importa com isso. De todos os vícios que já constaram de sua longa lista, o tabaco é o único do qual não pretende se livrar jamais. De todo modo, não fuma no quarto -nem em casa, nem no quarto do hotel.
Calçou os chinelos e levou o maço para o banheiro, onde acendeu o primeiro do dia.
13h13
"Mazinho, já acordei", disse ao telefone para um dos produtores que sempre a acompanham em viagens. Ele encomenda o desjejum. Café com leite, granola, pão de sete grãos, queijo branco e um ovo cozido. Junto, chegam os jornais. Passa o olho nas páginas, roendo as unhas compulsivamente. Até que sangram, e ela ri. Sozinha, já que o quarto está vazio. Viaja em família, mas passa boa parte do tempo longe deles. Roberto de Carvalho, 57, marido e parceiro, dorme em suíte igual, do outro lado do corredor. Beto Lee, 33, o filho e guitarrista, em um hotel mais simples, junto com os outros integrantes da banda.
Volta para a cama. Os lençóis, trouxe de casa. Também as fronhas e dois dos quatro travesseiros que usa -o par que apoia a cabeça é seu. Os controles remotos estão sempre por perto, mas a televisão -como o ar-condicionado- permanece desligada. Ela prefere retomar o livro que estava lendo em casa, um romance policial do americano Harlan Coben. As histórias dele são boas, ela acha. Mas todas sofrem do mesmo problema: o desfecho previsível deixa a desejar. Seu escritor preferido nessa seara é, de longe, Rex Stout, que morreu em 1975. Em seus livros, não há como adivinhar o assassino antes que o autor o revele, e é disso que ela gosta. Mas, pena, já leu a obra completa de Stout. Não ouve música.
"Meu, o [maestro] Rogério Duprat é que estava certo. Um dia, ele me disse: 'Rita, descobri que não gosto de música, mas agora é tarde demais'. Fiquei igualzinha. Não acompanho nada dessas novidades -nem aqui dentro, muito menos lá fora. Os gringos, quando investem num lançamento que, acreditam, irá vender, cercam-se dos melhores produtores, arranjadores, instrumentistas, figurinistas, bailarinos etc. Não dá para sair um trabalho ruim. A Lady FormiGaga -reparou como ela tem cara de formiga?- é fabricada, sim, mas desempenha bem o papel. A piada é se dizer uma mulher contestadora. Alguém tem que lembrar a ela que Sinead O'Connor também se dizia uma mulher guerreira. Afff...
Passados cinco capítulos do livro, Roberto chega para o almoço: comida vegetariana, como é regra. O carro passaria às 17h para levá-los à passagem de som. Comeram e cada um voltou para o seu quarto. Ela acendeu outro cigarro. Ao mesmo tempo, vestiu uma touca plástica (os cabelos tinham sido lavados na noite anterior), arrancou a camiseta e a calcinha que usa para dormir e entrou no banho. A água quente ajudou a relaxar um pouco, mas não deu conta de liquidar com a ansiedade. As toalhas, vale frisar, também vieram de casa.
17h33
Roberto se senta no banco da frente do carro blindado, ao lado do motorista. Ela vai atrás, jogando paciência no Iphone. Outro carro menor os segue, levando o segurança e dois produtores. "Olha, Gungun, tem um monte de gente comprando ingresso para o seu show", diz Roberto quando chegam à porta do ginásio.
A Gungun a quem ele se dirige é outra das personalidades de Rita, "uma órfã de três anos e meio, carente e chatinha", segundo definição da própria. Há outras, que surgem em diferentes ocasiões, cada uma com características bem delineadas. A roqueira vampira Lita Ree, a solteirona Regina Célia ("que, dizem, teve um romance com Ulisses Guimarães"), o corintiano mulherengo Aníbal ("ele morre de tesão na Gal Costa"). Além, é claro, da própria Rita Lee, a principal de todas elas.
"Como você pode ser uma pessoa só? Ninguém é. Mas as pessoas não se dão conta de que estão usando um personagem pra cada situação -um com o marido, um com a sogra, um com o chefe... E uma persona equilibra a outra, elas se cuidam e se provocam o tempo todo. Quer um exemplo? Rompi os tendões do ombro, recentemente -essas coisas de corpo usado, a parte chata da velhice. Estava fazendo aquele papel de vítima, cheia de autopiedade, 'não quero mais nada, é hora de aposentar'. E, como não podia tocar [o violão], fiquei morrendo de medo de fazer show daquele jeito. Mas, quando a Rita Lee se viu no palco com aquela tipoia, tirou vantagem total da situação. Usou o ombro quebrado como piada, charme, riu da própria cara. E depois pra eu voltar pra casa fazendo a coitadinha de novo? Ninguém acreditava mais no meu drama, né?"
18h01
O camarim é espaçoso. Uma geladeira pequena guarda alguns tipos de suco, água mineral e sanduíches naturais. Na mesa ao lado, queijos, frutas, pães de muitos tipos, bebida isotônica, mais água. Em frente ao espelho, está armado uma espécie de "altar", com dezenas de embalagens de cosméticos. Enquanto fala, vai desenhando a boca com um lápis vermelho, que depois será recheado com batom da mesma cor. Passa rímel preto em torno dos cílios e um pouco de sombra azulada nas pálpebras e em volta. Vavá, o camareiro, entra para ajudá-la com a chapinha, que alisa ainda mais os cabelos finos. Ela deita em seguida no sofá forrado de toalhas (também trazidas de casa) e vai pingando, até acabar, um pequeno tubo de soro fisiológico nas narinas. A voz sai com mais facilidade depois desse processo de desentupimento. É agora, na maquiagem, que as duas Ritas começam a se confundir.
"Eu sei a boca que ela gosta, a roupa... É um divãzinho de Freud que ninguém faz ideia. O que às vezes me assusta é a importância que as pessoas dão pra Rita Lee [a do palco]. Vêm me dizer: 'Ah, você mudou a minha vida, escutei 'Ovelha Negra' e resolvi sair da casa do meu pai, por sua causa eu casei, separei...' Fico pensando: será que conto a verdade? Que não sou quem elas pensam que sou, que não tenho a segurança da Rita Lee, que mal sei o que fazer da minha vida e não sirvo pra guiar a de ninguém? Mas acabo nunca falo nada disso.
21h45
Pouca coisa acontece no camarim entre o final da maquiagem e a entrada em cena. Beto entra algumas vezes e puxa conversa. Fala de Ziza, 4, filha dele e neta dela, um dos temas prediletos da família. Sai em seguida. Vavá volta ao camarim e a ajuda a vesti-la de Rita Lee. Está pronta, com uma hora de antecedência. A espera pré-show costuma ser menos cansativa quando a novela das 21h é boa. Mas ela não está achando a menor graça na trama que está no ar agora, "uma chatice". "Até Lilia Cabral está canastrona, como isso é possível?". Mas a TV fica ligada com o volume bem baixo, quase no mudo, e ela dá umas olhadas enquanto não chega a hora. Fuma um cigarro atrás do outro.
22h19
Dez minutos antes de ir para as coxias, chama toda a banda para a "concentração" no camarim. Acende uma vela branca e todos se abraçam. É o único ritual que têm nessas ocasiões. Os músicos saem em direção ao palco, posicionam-se e atacam os primeiros acordes. As cortinas se abrem. O segurança a acompanha até seu ponto de entrada. Ela se senta ali atrás, fazendo caretas para alongar os músculos do rosto -método ensinado pelos professores de técnica vocal. Ainda tem tempo de tragar o cigarro algumas vezes antes que ela o entregue na mão do segurança.
Entra em cena aos pulos. "Um belo dia resolvi mudar/ Fazer de tudo o que eu queria fazer/ Me libertei daquela vida vulgar/ Que eu levava estando junto a você..." O povo delira com a entrada de uma, enquanto a outra, aliviada, volta sozinha ao camarim e retoma o capítulo da novela.
Data: 25/04/2010
Autor: Marcus Preto
Fonte: Revista Serafina - Folha de São Paulo
segunda-feira, 22 de março de 2010
Rita Lee: entrevista - VOGUE
Nos dias 5 e 6 de março, a intrépida Rita Lee subiu ao palco do Credicard Hall, em São Paulo, para uma enxurrada de hits, com direito a homenagem para Michael Jackson. RG foi ter com a diva para saber como ela anda. Vem ler:
RG - Rita, o que há de Michael em você? Se você tivesse sido amiga dele sente que poderia tê-lo ajudado a não sucumbir à loucura?
Rita Lee - Não possuo nenhum dos talentos artísticos de Michael e, pelo que pude ver no filme (o documentário) ele estava absolutamente impecável, o que me faz concluir que a causa da morte foi incompetência médica. Se tomar coquetel de demerol com propofol me fizesse dançar e cantar como Michael, pode crer que eu não ia pensar duas vezes.
RG - Trabalhar em família não é arriscar-se demais? Ou é a receita certa para sobreviver ao mundo lá fora?
RL - Arriscar como se o salário família ficou bem melhor!
RG - Qual o mais novo reencontro entre você e seu repertório?
RL - Tenho uma bagagem musical grande, não gosto de repertórios fixos.
RG - Como é que você faz pra não se cansar de cantar aquele refrão que todo mundo quer ouvir?
RL - Quando o público canta junto, e sempre canta, o prazer que dou e recebo é epifânico.
RG - Qualquer música sua parece ter sido feita ontem. Você compartilha essa percepção? De onde isso vem?
RL - Percebo isso sim. Quando escolho uma música que não canto há tempos - e eis que a letra continua atual.
RG - Cantar é a grande terapia? Ou tem coisa mais eficiente?
RL - Para mim subir no palco é a grande terapia, não sou uma cantora-passarinho que emociona com sua voz, sou uma boba da corte que entretém as pessoas.
RG - Você usa muita roupa vintage nos shows ou é tudo coisa nova?
RL - Tudo faz parte do meu baú desde os tempos dos Mutantes, reciclo algumas peças, outras não.
RG - Rita, dar entrevista é uma experiência boa, de reflexão? Ou é um porre necessário?
RL - Realmente não tenho nada pra dizer, minha vidinha é besta pra caramba... beijos.
domingo, 7 de março de 2010
Autorretrato: Rita Lee
Nascida em São Paulo em 31 de dezembro de 1947, filha de um imigrante americano e de uma filha de italianos, Rita Lee Jones Carvalho é uma artista poliglota: fala fluentemente inglês, francês, espanhol e italiano. Mas foi em português que veio cantar seu sucessos em Porto Alegre.
Que cena da sua vida você escolheria para reviver?
::: Para que reviver?
Qual seu maior medo?
::: De ter medo.
Que traço do seu temperamento a incomoda?
::: A implicância.
E nas outras pessoas?
::: A falta de humor.
Que habilidade você gostaria de ter mas não tem?
::: Cozinhar.
Qual a maior extravagância que já cometeu?
::: Não sou de extravagâncias.
O que menos gosta em sua aparência?
::: Do meu nariz.
Qual seu bem mais precioso?
::: Minha família e meus bichos.
Qual você considera a maior das virtudes que uma pessoa pode ter?
::: Honestidade.
Qual é a sua ocupação favorita?
::: Dormir.
Prefere planejar ou ser surpreendida?
::: A vida é o que acontece quando você está planejando outras coisas.
Que lembrança de infância é mais nítida em sua memória?
::: As tardes dos sábados.
Que presente você ganhou e nunca esqueceu?
::: Meu primeiro cachorrinho.
Que experiência artística teve mais impacto em você recentemente?
::: A coleção dos livros policiais de Rex Stout.
Qual a paisagem natural mais deslumbrante que você conhece?
::: Minha casa no mato.
Que presente você daria para a sua cidade-natal se pudesse?
::: Um kit de sobrevivência.
Cite um nome de pessoa que você acha bonito.
::: Roberto de Carvalho.
Que personalidade pública você admira?
::: Todas já morreram.
O que você mais faz na internet?
::: Estudo e leio notícias.
Que projeto de vida você está determinado a realizar nos próximos 10 anos?
::: Tocar o barco.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Rita Lee inclui homenagem a Michael Jackson em dois shows
"Entre os hits de sempre vamos tocar 'Vírus do Amor', 'Atlântida', 'Pagu', 'Eu e Meu Gato' y otras cositas más. E quanto tempo será que vai durar esse set list?", diz Rita ao Destak, por e-mail. Clássicos da carreira, como "Ovelha Negra", "Chega Mais", "Banho de Espuma" e "Baila Comigo", também têm presença certa.
A nova minitemporada de Rita Lee surge no momento em que o pop nacional - e também o internacional - está infestado por músicos que, ao contrário do que a cantora fazia, principalmente nos anos 1970, não criticam nada nem protestam contra qualquer coisa.
Ela vê essa falta de atitude com certa naturalidade. "Não acho fácil ser jovem, além do que hoje tem gente demais no planeta. Talvez a grande rebeldia seja mesmo o bom-mocismo." Rita e o marido, o guitarrista e compositor Roberto de Carvalho, assinam a direção do show. Ainda que não faça muitas apresentações, a cantora diz não ter projetos fora da música, como no passado, quando chegou a participar de programas de TV, como o Saia Justa, no GNT.
"Não sobra tempo (nem saco) para me dedicar a outra agenda que não a musical. Estou fazendo o mínimo de shows para pagar as contas. Adoro um palco, mas pegar avião, dormir em hotel, comer comida que não sei quem preparou me dá a maior canseira", avalia.
Outra coisa que ela não quer, mesmo com uma trajetória invejável, é ser tema de um documentário, gênero em voga. "Uma biografia só fica completa depois que se batem as botas. Antes disso, não vale a pena."lCredicard Hall Tel. 2846-6000. Amanhã e sábado, 22h. R$ 60 a R$ 160.